quinta-feira, 10 de setembro de 2009

II ENCONTRO MEMORIAL DO ICHS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
II ENCONTRO MEMORIAL DO ICHS: Nossas Letras na História da Educação
De 11 a 13 de novembro de 2009
Um encontro para comemorar a trajetória feita até aqui e traçar novos caminhos. Uma oportunidade para atualizar o conceito e o significado de um dos começos em nossa memória: uma escola que, antes e agora, ajudamos a construir. O encontro será organizado em dois eixos de atividades: acadêmica/científica e artística. Visite o site do evento para conferir a programação e os procedimentos para inscrição e envio de trabalhos.

Para maiores informações, clique aqui.

Favor noticiar a seus contatos.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ouro Preto: a Praça não é do povo

Flávio Andrade repudia
a forma do 21 de abril
Carta de Protesto redigida pelo Vereador Flávio Andrade

Este 21 de Abril ficará na memória dos ouro-pretanos. Nos meus 55 anos de vida, não me lembro de comemoração mais ostentativa e desrespeitosa para com a minha terra.

A Praça Tiradentes, coração de Ouro Preto, ficou praticamente fechada por uma semana, atravancando o funcionamento da cidade viva. Na entrada do espetáculo da Bibi Ferreira, fomos revistados humilhantemente, como se fôssemos assaltantes ou terroristas. Ouro-pretanos que saíram pra trabalhar nesta terça feira foram proibidos pela Polícia de passar a pé pela Praça Tiradentes. O monstruoso aparato montado para a comemoração assustou a todos.

Em tempos de crise, a gente se pergunta: quanto custou esta festa? Palanques enormes na Praça Tiradentes e na Praça da UFOP. Centenas de policiais. Dezenas de técnicos e operários por uma semana em Ouro Preto. Transporte e a alimentação pra este povo todo. Equipamentos de som e luz sofisticados, montados nas duas praças. Grades fechando cada canto onde alguém poderia passar. Helicópteros cruzando o céu pra lá e pra cá o dia todo. Centenas de flores e medalhas. Horas e horas de trabalho de servidores do Governo do Estado. Cachês de artistas. Ônibus e mais ônibus transportando claques com pulserinhas e bandeiras do partido do Governador.

Será que não dava pra homenagear a Inconfidência Mineira de maneira mais digna e verdadeira? Será que este show-bussines não bate de frente com os famosos e tão decantados ideais da Conjuração Mineira? Será que não seria mais respeitoso com a memória de quem morreu pelo Brasil fazer um evento menos espalhafatoso? Será que não bastaria colocar uma coroa de flores aos pés de Tiradentes, como Juscelino fazia?

Patrocinar esta gastança de dinheiro público num tempo de crise e desemprego é rir do sofrimento e da dignidade do povo mineiro.

Não é esquisito comemorar a Liberdade proibindo pessoas de andarem em sua própria cidade? Revistando pessoas de bem como se fossem bandidos.
(...)
Sou contra este tipo de comemoração. Ouro Preto quer outro tipo de festa. Quer um evento com a participação de autoridades, artistas, policiais e, principalmente, dos donos da casa.

Os ouro-pretanos, de nascimento ou por adoção, dividimos nossa praça literalmente com o mundo todo. Só pedimos respeito.

Flávio Andrade
Vereador do Partido Verde de Ouro Preto 
Leia tudo sobre 21 de abril, depois leia ainda:  Polêmica no barroco mineiro - Senhor Cê - Caixa d'água, na Água Limpa - Ponte do Pilar

21 de abril em Ouro Preto - Gentrificação

A praça Tiradentes em 21 de abril é
o contrário do que o povo deseja
Chama-se gentrificação (um neologismo que ainda não consta dos dicionários de português) ou enobrecimento urbano, de acordo com algumas traduções, a um conjunto de processos de transformação do espaço urbano que ocorre, com ou sem intervenção governamental, nas mais variadas cidades do mundo [1]. O enobrecimento urbano, ou gentrification, diz respeito à expulsão de moradores tradicionais, que pertencem a classes sociais menos favorecidas, de espaços urbanos e que subitamente sofrem uma intervenção urbana (com ou sem auxílio governamental) que provoca sua valorização imobiliária.

Esses processos são criticados por alguns estudiosos do urbanismo e de planejamento urbano devido ao seu comum caráter excludente e privatizador. Outros estudiosos, como o sociólogo Richard Sennett da Universidade Harvard [2], consideram demagógico o caráter das críticas, argumentando que problemas urbanos não se resolvem com benevolência para com as camadas mais pobres da população e, na sua opinião, só se resolvem com alternativas que reativem e recuperam a economia do local degradado.

Leia tudo sobre 21 de abril, depois leia ainda:  Olhos que viram Ouro Preto - Direito à tradição - Presépios

21 de abril em Ouro Preto IV

Praça tiradentes em 1956
"É incrível como após anos e anos dessa festa (?) sem nenhuma relação com a cidade em si ainda persistam em montar esses "monstrengos" de estrutura metálica, de pouquíssima funcionalidade e de gosto bastante duvidoso.... Cafona!!! "
Sérgio Rafael do Carmo

Isso é um tapa na cara que levamos a cada ano, proibidos de usar nosso espaço, insultados em nome da liberdade. Getulio Vargas, Figueiredo, Lula e Aécio foram protagonistas desse insulto a nós todos.

"Leva-nos a pensar: a que se destinam as cidades patrimônio cultural da humanidade? O tempo tem mostrado que esse título insere o que se chama gentrificação. As decisões acerca da cidade não são expressas pela vontade do povo daqui. Esse evento é arbitrário, parece incontestável. Mas se enchem os hotéis, as lojas de pedra, os restaurantes e tem veiculação forte na mídia. É excludente, revoltante. Mas, serve de trampolim político. A quem serve o tal título? A bem poucos, me parece. "
Milton Ferreira Athayde
Leia tudo sobre 21 de abril, depois leia ainda: Desarticulando - Ideias ouro-pretanas - Sexo dos anjos - Fotos de criança

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