domingo, 24 de abril de 2011

Ouro-pretano, quem és?


Se tu não sabes,
Ouro-pretano,
Quem és,
Despe de tudo,
Tira cada pano,
Põe nus teus pés,
Faz sorriso mudo.


 
 Se tu não sabes,
Concidadão,
Quem és,
Perde o orgulho,
Tira teu sermão,
Põe-te ao grés,
Beija o pedregulho.


Se tu não sabes,
Ó vinzindário,
Quem és,
Despe-te a fatiota,
Joga no calcário,
Põe-te novas fés,
Não sejas idiota.

Se tu não sabes,
Meu acercado,
Quem és,
Nossa grei é una
Nem nome errado
Te dará revés,
Em nossa cuna. 


Se tu não sabes,
Meu confinante,
Quem és,
Tens memória,
Vem adiante,
Montanha através,
À nossa história.


Se tu não sabes,
Meu chegado,
Quem és,
Pergunta a Oçãe
Pra que lado
Aponta o través
A sua terra-mãe.


Se tu não sabes,
Meu propínquo,
Quem és,
Faz barulho,
Volta longínquo,
Sem viés,
A oito de julho.


Se tu não sabes,
Meu malungo,
Quem és,
Teu anos dirão,
De mofo e fungo
Do chão ao rés,
Trezentos que são.




Públio Athayde
Ao 8 de julho de 2011.


Leia no blog da Keimelion: Revisando seus textos - Quanto custa a revisão de textos? - Erros comuns em redação - Desencalhe sua tese

sábado, 23 de abril de 2011

Na Academia Ouro-Pretana de Letras

Jusberto Cardoso Filho: Poesia e poetas em Ouro Preto: visão poética através dos tempos. Na ocasião, será exibido também o video documentário "Acaba de chegar ao Brasil o belo poeta francês Blaise Cendrars", de Augusto Massi. A palestra será nesta quinta-feira, dia 28 de abril, às 19h30, no Anexo do Museu da Inconfidência. 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A grade da Ponte dos Contos


A Ponte dos Contos, com a grade antiga. Ao que me consta, ela foi substituída pelas pedras lá pelos anos 1940 (não sei se o original seriam pedras ou grade). Meu avô morava na casa aí a esquerda (hoje o restaurante O Passo), e meu pai contava que, quando tiraram a grade, ela foi adornar a fazenda de um político.
Essa grade aí é bem menos propícia ao suicídio que a mureta atual. Mas ela é claramente art nouveau, suponho que tenha ido parar aí pelos fins do XIX. Sua retirada tende a ter sido coisa da "restauração" pós passagem dos modernistas por ali. Ainda há marcas da fixação das grades nas pedras da Casa dos Contos.
Nos fins do século XX, algumas dessas hastes de ferro mais grossas foram usadas pela Prefeitura para pontos de ônibus pela cidade; lembro-me de uma perto da Estação e outra no Veloso (esta acho que ainda está lá). Não me lembro sob qual prefeito isso foi feito.


Leia no blog da Keimelion: Revisando seus textos - Revisão de textos em contexto - Emprego do verbo haver - Locuções com e sem crase

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ouro Preto • Olhar Poético


Carlos Bracher, 
o Centro Cultural e Turístico do Sistema FIEMG em Ouro Preto e Grafar Editora
têm o prazer de convidá-lo para o coquetel do pré-lançamento de seu livro:
Ouro Preto • Olhar Poético
Dia: 17 de dezembro de 2010
Local: Café e Livraria Cultural de Ouro Preto
Rua Claudio Manoel da Costa 15
Horário: 19h às 21h

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sexo dos anjos

Capela do Padre Faria
As coisas pela internet evoluem sempre, nem sempre segundo se espera. Aqui vão algumas notas sobre uma discussão bem genérica, colocada sob o ponto de vista ouro-pretano  - que há de ser sempre o meu ponto de vista.

  • Felipe Stefani Anjos tem sexo?
  • Maria Do Rosario Pacheco É uma longa discussão...
  • Antonio Sergio Fernandes Essa coisa de saber se é anjo ou anja, é que nem saber se o Piu Piu (do desenho Piu Piu e Frajola) é um passarinho menino ou menina. Afinal, Piu Piu é menino ou menina?
  • Maria Do Rosario Pacheco Mas essa é mais fácil. No sincretismo da Umbanda, Piu Piu é Erê... é como se fosse um pintinho q não vai crescer. Não precisamos imaginá-lo como galo ou galinha, porque ele será sempre criança.
  • Felipe Stefani antes de dele(a) virar Piu Piu eu me pergunto; Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?? São perguntas eternas por que são eternas perguntas...
Neste ponto, ou mais adiante, veio minha interferência esclarecedora:
  • Igreja de São Miguel e Almas
    (Bom Jesus de Matosinhos)
    Publio Athayde
    Gente, desde pequeno me diziam que quem tem piu-piu é menino (no desenho animado que tem é a velha). O tal piu-piu! no Aulete Eletrônico tem, está registrado assim, com exclamação! (curiosíssimo!) - e o verbete só tem o seguinte registro: (Trás-M) - ... e nada mais.
    Argumentem os senhores e senhoras que piu-piu! - e uma coisa e Piu Piu é outra, sepequem argumentos onomatopaicos ou metafórico-antropozoomórficos, sei por mim que anjos há dos dois sexos - e de vários gêneros e transgêneros.
    Primeiramente, os barrocos, com o quais convivi desde mais tenra idade, têm em geral seus piu-pius! (maldita !) bem à mostra - exceto quando tenham sido capados. Na igreja do Padre Faria, em Ouro Preto, os pingolins angelicais estão todos em uma caixinha de sapato na sacristia, depois de terem sido decepados à ordem de algum mentecapto. Então os anjos eram machos e ficaram eunucos. Isso se refere normalmente a putos e querubins, despudorados mostradores de genitália.
    Naquela mesma cidade, à época de minha infância, vestir de anjo era coisa de menina, exclusivamente. Hoje em dia, nas procissões já se vêem querubins e anjos meninos, mas sempre com os sexos devidamente tampados por túnicas romanas (interessante que o Império Romana tenha se estendido ao excelso, impondo-lhe até as vestimentas). No entanto, os arcanjos das procissões ainda são fêmeas casadoiras de longos cabelos. Nem as romanas vestes lhes ocultam as formas feminis. Já pouco acima de minha casa, sempre naquela cidade, está a igreja de São Miguel Arcanjo, com o titular no frontispício - da lavra do Alijadinho (que sabia bem de anjos). Ali o arcanjo é macho de verdade. Soldado romano (olha a colonização latina de novo!), de gládio fálico desembainhado e ereto, nem precisa que se lhe levante o saiote militar para sanar qualquer dúvida.
    Quod erat demosntrandum, há anjos machos, fêmeas, epicenos, transgênicos, comuns de dois gêneros, assexuados, neutros e, provavelmente HSH (segundo denominação ministerial que recém aprendi).
    Para gáudio geral, há ainda a querela de gênero - que para o sociólogos é uma coisa e para os linguistas outra. E a querela de sexo, que para os biólogos é uma coisa e para os psicanalistas outra. Já para os restauradores, sexo é o berimbau cortado dos anjinhos barrocos, sobre os quais eles não se entendem se deveriam ser recolocados em seus respectivos entrepernas - ou vendidos a turistas desavisados, sempre compradores de quinquilharias fálicas e falsas.
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