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domingo, 7 de dezembro de 2008

Ponte do Rosário

cabeças. ponte aziaga.
santos dummont à direita é uma praga
que deixa multidões na incerteza.
se a bomba que relincha nas cabeças,
zona e curral, avião levados às pressas
vê a morte em terror, toda a beleza
do vão dos corpos queimados, uma sorte
de absurdos gêmeos, uns quilates
de metais raros, sondados pelos vates.
por modernas incursões hiberna
do verso, este terrível acessório,
que faz da vida, morte. morte eterna!
(ponte: cabeças)
(per augusto)
e tudo volta à terra
como terra, sempre!
(fecho, per augusto)
Por Romério Rômulo

O Rosário e o Itacolomi

Um Poema em Ouro Preto
(Lidiane Lobo)


Fiz um poema em Ouro Preto
que criou vida própria
e me disse:
Adeus!
Preferiu ficar por lá…
Eu entendo.
Dele ficou uma vaga lembrança…

Aí está.

Tuas manhãs claras
teus sinos que soam a cada hora lenta
teu céu de noite tão estrelada
teu sabor

Cada pedra dessa ladeira
cada passo
cada rua Direita
cada sonho: liberdade
e as idéias…

Se olho para cá
vejo o Itacolomi
Se olho para lá também
Se olho para cá
vejo uma igreja
Se olho para lá também
Se olho
vejo uma história

Um anjo sem mãos esculpiu a tua face
Um doce Guignard tocou-lhe com o pincel
E muitos, muitos outros
Com os quais sonho

Quem foi Tiradentes
não sei bem.
Mas vi uma marca de sangue
estampada ali na praça
e que não quer
nem irá perder-se

Chica da Silva, Chico Rei,
Dirceu, Marília…
Não sei bem
não sei, não sei, não sei…
Mas, sim,
certemente
eu os vi

Ouro Preto agora
aponta-me outros caminhos
por uma estrada
nem sempre real

Como estará o meu poema que deixei por lá?

sábado, 6 de dezembro de 2008

Ponte e Chafariz de Marília

Esta obra monumental, construída em 1758, é hoje denominada " Chafariz de Marília", por estar num paredão em frente à casa em que morou Maria Dorothéa Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, amada e noiva de Tomás Antônio Gonzaga. A casa de Marília foi demolida, e em seu lugar construído um Grupo Escolar. Há documentação no Arquivo Público Mineiro, com respeito à contratação das obras de dois chafarizes por Manuel Francisco Lisboa, em 11 de dezembro de 1757: "um ao pé da ponte de Antônio Dias, e outro no Passarão". O contrato do primeiro foi transferido para Miguel Gonçalves de Oliveira, mas não o segundo, que é de supor seja o Chafariz hoje chamado "de Marília". Os vãos que ladeiam o corpo principal da fonte foram outrora nichos ou oratórios públicos. Hoje estão emparedados.

O plano do muro em que se destacam as peças decorativas e funcionais do Chafariz, contém a composição, dividida em três corpos por pilastras e consolos, sobre duplo pedestal e enquadrada por dois cunhais simples. No corpo central destaca-se a grande cartela barroca em Cantaria, com as quatro carrancas por cujas bocas jorra a água. Nos dois corpos laterais os dois vãos emparedados, com marços de Cantaria, verga curva e ornato Barroco com concha ao alto. O Coroamento do corpo central é também em pedra esculpida, em forma de volutas cobertas por acantos e grande motivo ornamental no centro. Voltando à cartela central com as carrancas, é de forma caprichosa e movimentada, com concheados laterais, volutas e grande concha superior, que se liga com o motivo ornamental do Coroamento. A água é recolhida numa grande taça esculpida apoiada no solo. A composição é de uma fantasia bem barroca e grande efeito. Pode ser atribuída a composição ao mestre Lisboa, cuja reputação como arquiteto o levará a executar mais tarde o Risco de belos monumentos, como a igreja de Nossa Senhora do Carmo.


Soneto da evocação
José Benedito Donadon-Leal
.

Eu, Gonzaga, tomado de teu jeito,
feito Dirceu em busca de Marília,
mas sem ter do amor segura planilha
so’adolescente, embora moço feito.
Ouro Preto agita em meu peito
e lá do alto, preso a mais de milha
vejo minha Estrela junto à família
tão feliz, que põe meu sonho desfeito.
Quem sabe a sorte sorrisse pra mim!
Poeta, por tua voz inspirado
joga um milhão de versos nesse fado.
Talvez teus versos evitem meu fim,
mas, como os ter sem luz, por meu pecado,
se o dó dela por mim já é migrado?

Ponte do Rosário

"O dia 24 de junho de 1698 marca a data em que o bandeirante Antônio Dias avistou o pico do Itacolomi e, através dessa referência geográfica, identificou a região de onde viera um tipo diferente de ouro, envolto em cobertura mineral escura, anteriormente encontrado por viajantes e que despertara grande interesse. A partir de então, diversos arraiais surgiram ao redor das minas, no vale do Tripuí, e são considerados hoje a origem da cidade." ANA MARIA FIORI - leia mais.


Ponte do Rosário, ou Caquende, em Ouro Preto/MG. Localizada entre as ruas Bernardo Guimarães e Alvarenga, no bairro do Rosário da cidade histórica, a ponte teve sua estrutura recuperada, com o reforço estrutural do tabuleiro em concreto armado no primeiro semestre de 2006. Foi tentada a recuperação do calçamento, dos passeios, sem sucesso, fizeram na obra violenta depredação da cantaria e do revestimento da alvenaria lateral, além de ter sido refeita a amarração entre as pedras do parapeito e a pintura. A obra teve um investimento de R$101 mil e foi iniciada em março de 2006. A prefeitura providenciou o paisagismo da área e os serviços de limpeza no entorno da ponte, no córrego e nos becos adjacentes, mas depois da reinauguração o entorno foi novamente abandonado e já se encontra muito sujo. O evento da entrega dos trabalhos (a 6/07/2007) contou com a presença do prefeito Ângelo Oswaldo e do chefe de gabinete do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Aloysio Guapindaia. Interessante notar-se que a placa alusiva à efeméride desapareceu na noite que se seguiu à festa, sem que dela nunca mais se tenha tido notícia. O Itacolomi continua ao fundo, aparentemente intocado. Mas que se vá lá para ver. Públio Athayde

Pico do Itacolomi

O Pico do Itacolomi (ao fundo) impõe um ar místico ao cenário histórico de Ouro Preto. Em tupi guarani, o nome quer dizer "a pedra e o menino" (ITA - CORUMI). Para os índios, o pico era visto como o "filhote" da montanha. É fácil perceber isso: uma pedra imensa, com outra menor ao seu lado. Situa-se no município de Mariana, mas sua melhor vista é de Ouro Preto, daí os versos do post que se atecede. Na casa rosada, com escada à frente, nasci e dalí só saí formado.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Soneto da disputa


Oh! Dirceu, disputo-te com Marília,
para mim, Doroteu, qual transmontana
Ouro Preto em disputa com Mariana
pelo Itacolomi, a pedra filha.
Fidelíssima tem a posse antiga,
garante a carta, século dezoito,
mas mesmo contra lei do mais afoito,
a Imperial tem mais vista, daí a briga.
Que vale para as pedras a lei do homem,
ou para mim e para meu Dirceu,
regra escrita, que não escrevi eu?
Que importam argumentos que se somem?
Dirceu será só meu, de ninguém mais,
como o Itacolomi é das Gerais.

O.P. 06/10/96
Públio Athayde
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