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sábado, 6 de dezembro de 2008

O curral de pedras


As paredes externas, principais vítimas das demolições recentes, apresentavam aberturas, principalmente na face norte, indicando provavelmente a existência de madeirame de construções justapostas. Não é possível determinar sua natureza, tanto poderiam ser paliçadas quanto currais ou habitações. Única parede parcialmente preservada em toda sua altura, a da face norte da edificação permite estimar entre 2,5m e 3m a altura das paredes externas. Leia mais em Curral de Pedras: Notas sobre abandono e omissão.

O estado da ruína é de completa depredação, desmonte. Acredito que motivados pela busca de algum tesouro sonhado, ao longo dos últimos anos, pessoas desavisadas e inescrupulosas têm sistematicamente demolido o que resta da edificação. Pelo isolamento em que se situa a ruína, nenhuma outra hipótese parece justificar a constante agressão ao edifício. Este é, de resto, o estado geral de todo o sítio arqueológico do entorno de Ouro Preto. Nunca foi dada atenção científica a ele, assim como sempre foi desprezado como atrativo turístico ou como área de preservação.


Essa história toda está contada no livro:


Autor: Públio Athayde

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Curral de Pedras - Face Sul

Milton F. Athayde.
"No inicio de 2007, em visita técnica junto a uma equipe da UFOP, muito estranhou que ao me referir sobre o Curral de Pedra a um dos historiadores responsáveis pelo projeto Parque Arqueológico do Morro da Queimada (projeto que prevê proteção da área e implantação de um ecomuseu nos bairros próximos), ele dissesse que nunca havia ouvido falar, que nem imaginava que existiam tais ruínas. Fato muito estranho devido à proximidade entre os dois sítios. Conheço bem a área do suposto curral e são impressionantes os resquícios de mineração. Sei também que lendas e causos estão ainda vivos na cultura dos moradores locais. As possibilidades de exploração do potencial turístico são imensuráveis, mas o caminho para a sua viabilidade é longo. O projeto do Parque Arqueológico do Morro da Queimada, por exemplo, tem dificuldades políticas de implantação, e mesmo depois de vários estudos realizados e da aprovação institucional, a proteção efetiva ainda não acontece e a atividade turística ainda é totalmente inviável. Seria mesmo muito válida a montagem de uma equipe interdisciplinar para tratar a questão do Curral de Pedra e de seus arredores. Trabalho que seria salutar para a corrida a preservação do acervo histórico e cultural de Ouro Preto. Como ouro-pretano e graduando em Turismo pela UFOP me proponho a contribuir."

Curral de Pedras - Parede Demolida

O entorno de Ouro Preto ainda está repleto de vestígios da atividade mineradora dos séculos XVIII e XIX. São muitos quilômetros de canais, centenas ou milhares de bocas de minas, ruínas de residências, muros e sítios cuja natureza ou função permanece indeterminada. O Curral de Pedras faz parte desse conjunto, situando-se nos limite entre a zona urbana e a rural, destaca-se por sua dimensão e pela hipótese de que não teria sido originalmente um curral, mas uma fortificação. Trata-se de um quadrilátero de edificado com muros de pedra cuja denominação deve ser, segundo meu pensamento, ligada ao uso tardio. As paredes de pedra tinham mais de 2m de altura, com cerca de 1m de largura na base. Havia edificações internas e uma série de obras hidráulicas complementares. A edificação tem sido agredida nas últimas décadas, numa intervenção predatória e rápida; suas paredes têm sido destruídas. Não se tem notícia de referências historiográficas ou documentais sobre o sítio. Leia mais em Curral de Pedras: Notas sobre abandono e omissão.

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